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Encontro entre startups e indústrias tem primeiros matches

Empresários se reúnem em São Paulo para alinhar demandas e soluções na terceira etapa de programa da ABDI. Eles têm até o dia 15 de novembro para fechar parcerias


O primeiro contato visual foi feito e em alguns casos o namoro começou. As 30 indústrias e 120 startups presentes no evento CoDiscovery Lab, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), nesta segunda-feira (23), puderam alinhar demandas e soluções em um dia intenso de apresentações e encontros de negócios. Cada grande empresa poderá escolher, até o dia 15 de novembro, dois novos empreendimentos para trabalhar em conjunto.


“Esse é o primeiro momento de aproximação, após as conversas em ambiente virtual. A partir daqui os dois lados começam a afunilar essa relação até sair com um plano de trabalho para a próxima fase do programa, que é a POC (Prova de Conceito). Na POC, as indústrias escolhem até duas startups, que vão receber o prêmio de R$ 80 mil da ABDI”, detalha Lanna Dioum, coordenadora do programa Conexão Startup Indústria 4.0.


Na sede da Investe SP, os representantes das startups selecionadas pela ABDI destacaram a oportunidade de contato com as indústrias. “Esse tipo de iniciativa facilita essa aproximação. Começamos a prospectar negócios com as indústrias em 2015 e encontramos muitas dificuldades. Acho importante que as indústrias estejam nesse caminho de aproximação com as startups, se tornando mais flexíveis”, ressaltou Vinicius Fagundes, CEO da startup Ibridge, que desenvolveu um aplicativo para monitorar segurança do trabalho.


Há casos de startups com grande capilaridade, mas que buscam dar mais escala à sua solução, como a mineira Net Resíduos, presente em 12 estados brasileiros. “Vimos no programa uma grande chance de acessar essas indústrias, que estavam no nosso radar e que são interessadas em inovar. Às vezes, a gente faz contato comercial com alguma indústria e ela não está interessada em resolver o problema”, explica Henrique Ribeiro, CEO da startup que trabalha com gerenciamento de resíduos.


O empresário se reuniu com seis indústrias, três que estavam pré-agendadas e outras três que conheceram durante o CoDiscovery Lab. Henrique deixou o evento com a expectativa de fechar novos negócios. “Foram conversas muito positivas. Algumas indústrias, inclusive, estão pensando em longo prazo, não apenas no edital”, projeta. “A gente espera acessar indústrias de grande porte, já temos algumas no nosso portfólio, mas queremos uma escala ainda maior”, conclui o CEO da Net Resíduos.


O programa Startup Indústria prevê o máximo de duas conexões para cada grande empresa, mas nada impede que outras parcerias sejam fechadas. Na primeira edição do programa, 17 startups, além das 10 previstas no edital, aproveitaram a oportunidade e também trabalharam com as indústrias. “A ABDI tem como foco gerar produtividade, competitividade e inovação para o setor produtivo. Quando a gente trabalha na mudança cultural e adoção de novas tecnologias pelas indústrias, estamos cumprindo nossa missão”, defende Lanna Dioum.


A ABDI investiu R$ 4,16 milhões no primeiro edital e obteve, somente em impostos, o retorno de R$ 8 milhões para a economia do país. Além disso, as startups conseguiram, em média, 32% de aumento de mercado. O valor dos pilotos adquiridos pelas indústrias superou R$ 1 milhão.


Conexão Além-mar


Uma novidade do segundo edital do programa é a participação de indústrias e startups portuguesas. A Matereo, que desenvolve soluções para prevenção e manutenção preditiva, espera ampliar seu mercado internacional e viu no edital da ABDI uma porta de entrada para a América do Sul. “O principal objetivo é nos conectar às indústrias brasileiras. Queremos encontrar parceiros para desenvolvermos nossos serviços e encontrar clientes em um mercado tão importante como esse”, afirma Ricardo Carmona, cofundador da startup.


O empresário revela que em Portugal não há tantos programas como o da ABDI, mas que as indústrias começaram a perceber a importância de trabalhar com os novos empreendedores. “De um lado, temos as necessidades das indústrias e, por outro, temos a capacidade de fornecer tecnologias. É isso que as startups necessitam: a possibilidade de encontrar clientes que queiram usar nossas soluções para poder escalar e melhorar os serviços”, completa.


Flashback


Um case de sucesso do primeiro edital foi a conexão entre a 3M e a startup Trackage, que agora estão participando da segunda edição do programa em busca de novas relações. Para a líder de comercialização da indústria, Renata Perina, o edital foi uma grande oportunidade de inovar. “A gente participou do primeiro edital e a experiência foi muito positiva. Quando a gente vai para o mercado, aparecem muitas startups, mas que não estão exatamente conectadas com a demanda. A ABDI faz uma curadoria muito boa. Ter o selo de ‘passei no processo de seleção da ABDI’ mostra para a gente que a startup tem mais respaldo, musculatura para conseguir desenvolver um trabalho com a gente”, elogia.


Para a Trackage, a chancela da ABDI mudou o patamar da startup e deu escala para a solução desenvolvida por ela. “O programa representou um salto importante. Foi uma construção a várias mãos. Não tínhamos nada de prateleira, pronto. Tivemos que descobrir junto à indústria a necessidade real dela e se a nossa proposta poderia resolver o problema e depois chegar no produto desenvolvido”, relata Igor Moreira, CEO da startup.


O programa tem como finalidade apoiar a inovação e as tecnologias 4.0 para o setor produtivo e, ao mesmo tempo, fortalecer o ambiente de negócios para novos empreendedores. O edital binacional, lançado pela ABDI em novembro de 2018, prevê R$ 4,8 milhões em premiação para as startups que se conectarem às indústrias.


Por ABDI

Fonte: Investe São Paulo

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