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Desbloqueando a Era da IA: O Papel Crítico do Contexto

“Contexto importa; mas raramente é definido.”


Em um mundo onde a tecnologia se encontra em constante evolução, a inteligência artificial (IA) emergiu como uma força transformadora com o poder de mudar todos os aspectos de nossas vidas. A Era da IA começou, e a rápida adoção de ferramentas como chatbots, ou agentes para copilotar atividades, “mudarão completamente nosso mundo de maneiras que o mesmo não vai ser reconhecível.” Essa disrupção não acontece por acaso. A imersão, que tende a crescer cada vez mais, na utilização dessas plataformas está sendo catalisada por um componente crítico que nos ajuda a dar sentido ao mundo em que vivemos e fornece significado e importância às nossas experiências: Contexto.


Imagine tentar ler um livro iniciando no último capítulo antes de ler os anteriores – sem dúvida, você teria dificuldades para estabelecer conexões e formular uma interpretação da história de acordo com o intuito do autor. Isso ocorre porque o contexto é fundamental para a compreensão da informação, como os pesquisadores do Google demonstraram em 2017 ao apresentar o conceito de Transformers. Esses programas de computador foram capazes de entender e traduzir idiomas mais rapidamente do que os modelos de redes neurais recorrentes (RNNs) comumente usados para processar dados sequenciais, porque foram capazes de contextualizar todas as palavras juntas. Para efeito de comparação, enquanto uma RNN tentaria ler um livro olhando para cada letra separadamente, um Transformer é capaz de olhar para palavras e frases inteiras de uma só vez. Isso permite que ele tenha uma compreensão mais ampla e eficiente de toda a história, resultando em uma capacidade de processamento mais rápida e precisa.


Nos últimos meses, empresas vêm desenvolvendo ferramentas alimentadas por IA que se baseiam na continuidade e contextualização de dados para criar interações homem-máquina mais orgânicas e fluidas, atendendo ao desejo inato do nosso cérebro por uma sequência de acontecimentos de forma fluente e sem fricção. Essa capacidade possui atenção especial de empresas como a OpenAI, criadora do ChatGPT, que recentemente anunciou uma nova versão do modelo, o Large Language Model (LLM) GPT-4, com um aumento significativo do tamanho do contexto que pode ser inserido na plataforma – de 4,096 tokens (3 páginas de texto) para até 32,768 tokens, o que seria por volta de 50 páginas de texto.



A tendência é que a IA se torne cada vez mais presente em nosso cotidiano, transformando nossas experiências e expandindo nossos horizontes. Como destaca o historiador e professor israelense Yuval Noah Harari em seu livro 21 Lições Para o Século 21, a ficção científica tem sido um importante gênero artístico para nos ajudar a visualizar esse futuro. Um exemplo disso é o filme Blade Runner 2049 (2017), que retrata um mundo onde a IA se tornou parte integrante da vida humana. Em uma cena do filme, o protagonista visita uma designer de memórias que cria lembranças para serem implantadas em Replicantes, a inteligência artificial humanoide do mundo criado por Ridley Scott no clássico original de 1982. Quando questionada por que suas memórias parecem tão autênticas, ela explica que o componente principal do seu produto é “fornecer contexto para o afeto inevitável,” uma vez que as memórias não são sobre os detalhes e que “tudo o que é real deve ser uma bagunça.” Essa cena ilustra perfeitamente como a habilidade de conectar todas as partes é fundamental para a compreensão e valorização de nossas experiências, e como a IA tem o potencial de aprimorá-las e enriquecê-las de maneiras que ainda não podemos imaginar.


No entanto, é importante lembrar que a IA não é uma solução mágica para todos os problemas. Na era da pós-verdade, esses avanços também são uma questão de influência e preocupação com o potencial de viés e desinformação, já que essas interações iniciam a moldar nossa cultura e determinar o que consideramos verdadeiro. Além disso, a IA pode não ser capaz de capturar todos os aspectos do contexto humano, como a subjetividade e a complexidade das emoções.



Em conclusão, à medida que a era da IA continua a evoluir e transformar nossas vidas, o papel crítico do contexto não pode ser superestimado. A capacidade dos sistemas de IA de entender e processar informações de maneira significativa depende da contextualização de dados. Se faz necessário que continuemos a considerar as possíveis desvantagens e limitações dessas tecnologias, como o viés e a incapacidade de capturar todos os aspectos da experiência humana. Em esse novo e inexplorado mar de integração digital, com o equilíbrio adequado de contexto e consideração cuidadosa, a IA tem o potencial de expandir nossos horizontes e criar um futuro mais inovador e acessível.


Por Gabriel Sampaio, designer e especialista de Soluções da Red Hat Brasil.

Fonte e imagem: InforChannel

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