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ESG e os riscos sociais: abordagem estratégica, necessária e desafiadora

A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança, em português) tem provocado e exigido do mercado uma abordagem mais robusta sobre a sustentabilidade. O pilar Social, especialmente, convoca as organizações para respostas rápidas, eficazes e contínuas, tanto do ponto de vista estratégico, quanto do próprio entendimento sobre o que está sob o guarda-chuva “S”. Seja por uma via ou por outra, o fato é que essa movimentação tem a capacidade de coordenar diálogos e interesses e, assim, trazer agentes substanciais para uma nova “mesa de negociação”.


Tais agentes são públicos múltiplos cada vez mais específicos, exigentes, informados e interconectados. Integram desde colaboradores diretos, terceiros, clientes e consumidores, até comunidades locais e organizações não governamentais, por exemplo. E sua profundidade é tamanha – e necessária – apontando que as empresas precisam levar em consideração contextos próprios para uma análise assertiva, como características regionais, diferentes necessidades, expectativas e valores, modelo de organização social e fatores de clima e de infraestrutura pública ou privada, entre outros.


Portanto, entender que as relações sociais se processam de formas particulares é fundamental para que também tenham respostas específicas às demandas apresentadas. Assim, o pilar S assume uma roupagem complexa, que precisa ser gerenciada antes, durante e após qualquer atividade ou empreendimento.


Um dos pontos fortes dessa condução é o próprio gerenciamento de riscos sociais e a possibilidade de identificar, avaliar, prevenir e mitigar impactos reais ou potenciais sob os mais diversos stakeholders. O risco social parte do princípio de que algumas ameaças ou incertezas, sejam elas econômicas, mercadológicas ou produtivas, podem contribuir para intensificar situações de vulnerabilidades pré-existentes ou gerar outras, seja por meio de atividades, operações e serviços.


Trazendo para a prática, podemos citar como exemplo a possibilidade de investigar a afetação dos recursos hídricos naturais e disponíveis às populações ribeirinhas; analisar perturbações às terras indígenas ou quilombolas e, até mesmo, observar o deslocamento massivo de mão de obra externa para localidades pequenas, que impactam na disponibilidade de serviços públicos para a população de origem e no aumento da exposição de mulheres, crianças e adolescente ao assédio e à exploração sexual. Em todos eles, o gerenciamento e a mitigação dos fatores de risco social são cada vez mais importantes para as partes interessadas e para a longevidade dos negócios.


Há, portanto, uma necessidade latente de integrar os aspectos sociais à agenda estratégica da empresa com a mesma força com que se encaram os pilares ambientais e de governança corporativa. Não é uma mera questão de responsabilidade social que presume ações voluntárias, perenes ou não. Aqui, o passo é maior: exige olhar 360 graus, compromisso contínuo, análises interdisciplinares e um gerenciamento de riscos sociais que seja condizente com a agenda sustentável.


Portanto, conheçam seus stakeholders, mergulhem em seus contextos geográficos próprios, alinhem expectativas e integrem suas equipes. Subestimar os fatores de risco social pode levar a consequências negativas significativas para a reputação e as operações de uma organização, como percepções negativas ou imprecisas sobre o negócio, boicotes e a perda de licença social.


Por Rayhanna Oliveira, consultora master em ESG e Sustentabilidade pela ICTS Protiviti

Fonte e imagens: InforChannel

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