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Indústrias da Construção Civil aproveitam momento pandêmico para aperfeiçoarem processos

Programa de melhoria contínua auxilia nesta retomada, propiciando aumento de até 30% na produtividade


Crédito: Gelson Bampi

O setor industrial da Construção Civil criou cerca de 25 mil novos postos de trabalhos em outubro, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mesmo com a baixa em relação ao mês anterior, quando gerou 31.487 novos postos, é o nono mês consecutivo de resultados positivos no mercado de trabalho formal do segmento. Ferramentas que incentivam a melhoria contínua, como a produção enxuta, vêm auxiliando indústrias do país a aumentarem a produtividade e diminuírem os desperdícios, fundamentais para o cenário atual.


O Brasil Mais, programa subsidiado pelo Senai no Paraná e Governo Federal que tem como objetivo trazer melhorias rápidas, de baixo custo e alto impacto, é um exemplo disso. Até o mês de outubro, 338 empresas já participaram da iniciativa e obtiveram um ganho médio de produtividade por mês de R$ 9.088,10, sendo que o ganho anual projetado supera R$ 29.000.000,00.


Robson Biela, engenheiro civil responsável técnico pela operação da empresa Futura e Reciclagem Inteligente, primeira usina a reciclar resíduos de Construção Civil no oeste do Paraná, conta que a participação da empresa no Brasil Mais veio em um momento propício. “A gente aproveitou a pandemia e viu como oportuno para justamente aperfeiçoar processos, obter mais informações, melhorar a produção interna e os fluxos, para que quando o mercado reaqueça a gente tenha a capacidade que tínhamos antes e até ampliada”, explica Biela.


Com os treinamentos, a indústria, além de aumentar a setorização de processos, o controle sobre a operação do processo de britagem e planilhar todas essas atividades, fotografou os pontos que precisam de manutenção, lubrificação e limpeza e criou um procedimento para que isso fosse feito semanalmente. “Como a gente realiza o processo de segregação, trituração e peneiração de resíduos, transformando os resíduos em agregados reciclados, a gente conseguiu mostrar que a organização desses procedimentos gerou um ganho na ordem de 30% de produtividade, e isso foi muito bom porque animou nossa equipe, animou a gerência também em fomentar incentivos para essa equipe pelo ganho de produção, com participação nos lucros. Foi bem positivo para todo mundo”, diz.


O resultado na prática auxiliou a empresa na motivação dos profissionais. “Eu acho bem interessante pelo programa ser rápido, não é cansativo, o funcionário entra motivado, sai motivado, vê o resultado rapidamente acontecendo, aplica a dinâmica teórica em sala de aula e pratica também no pátio da empresa”, salienta Robson Biela.


Renato Pena Camargo, sócio proprietário da Tarobá Construções, de Foz do Iguaçu, avalia a participação no Brasil Mais como muito produtiva. “Incorporamos melhorias nos nossos processos produtivos. Focamos em um processo único que foi a instalação de pisos de porcelanato, mas o que melhorou foram os profissionais terem um olhar diferente sobre os processos produtivos, ou seja, não é porque sempre fazem da mesma forma que aquela é a melhor forma para se fazer”, ressalta Camargo.


Segundo ele, o que mudou na empresa é que os profissionais incorporaram uma nova cultura de que os processos podem ser aperfeiçoados. “O investimento é muito pequeno e o engajamento do pessoal não envolve só o pessoal que participa, mas também os profissionais da obra, os que executam o serviço. O ganho maior foi percebermos que quase todos os processos que realizamos na empresa podem ser melhorados. Então inicia-se uma mudança de cultura de sair da mesmice e tentar sempre procurar uma forma mais otimizada dos processos”, lembra. Renato comenta que tiveram dois principais ganhos: de produtividade, com o profissional instalando mais cerâmicas em menos tempo, e em relação ao custo, conseguindo economizar a quantidade de argamassa utilizada por m².


“Pensei que, por sermos uma indústria da Construção Civil não conseguiríamos ter um grande aproveitamento, mas, muito pelo contrário, tivemos um bom aproveitamento e creio que outras empresas que tenham processos produtivos sequenciais também podem ter. Aconselho muito e creio que poderá ser muito bem utilizado em todas as indústrias”, diz Camargo.


Conheça o programa


Com a iniciativa, o Senai no Paraná está alcançando no mínimo uma média de 20% de produtividade, com ações de intervenção consultivas de especialistas da instituição e em um formato de uma consultoria rápida e transferindo competência para a indústria. “Desta forma, a indústria é capaz de manter essa alta produtividade mesmo depois que o Senai termina o processo consultivo em 64h. É uma oportunidade única para indústrias do Paraná e do Brasil, já que é um programa com baixíssimo investimento, com retorno rápido – em dois meses, e fácil de acompanhar o ganho de produtividade”, ressalta Fabrício Lopes, gerente executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema Fiep.


Neste ano, as indústrias associadas aos sindicatos filiados ao Sistema Fiep contam com maior subsídio para participar do programa, o que reduz o custo do investimento pela metade. Por meio do programa, governo federal e Senai subsidiam 80% do valor e a empresa arca apenas com 20%, o equivalente a R$ 2.400. Já as indústrias associadas aos sindicatos filiados ao Sistema Fiep, R$ 950.



O Brasil Mais atende indústrias de diversos segmentos, que podem indicar até três colaboradores para participar dos treinamentos, das mentorias práticas e das consultorias no chão de fábrica. O investimento é acessível às empresas, mas é necessário que as indústrias interessadas tenham de 4 a 499 funcionários e CNAE industrial primário ou secundário.


As inscrições podem ser feitas no site do Senai no Paraná ou pelo e-mail brasilmaispr@sistemafiep.org.br .


Fonte e imagens: Agência Sistema FIEP

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