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Para ser mais competitivo, Brasil precisa investir e capacitar para a indústria 4.0

A convite da Folha de S.Paulo e da Embratel, especialistas debatem formação profissional para um setor industrial em constante evolução. Institutos e parcerias do SENAI são citados como referência


Representantes da indústria e educadores participaram do seminário para falar dos desafios da qualificação

Tecnologias habilitadoras da indústria 4.0, como internet das coisas, computação em nuvem, big data e inteligência artificial, estão transformando o setor e, consequentemente, o perfil de profissional demandado pelo mercado. Para discutir os desafios da capacitação, a Folha de S.Paulo promoveu debate nesta quarta-feira (27), mediado pela editora de Mercado, Alexa Salomão.


O seminário, patrocinado pela Embratel, contou com a participação do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi; do diretor industrial da Robert Bosch Ltda, Julio Monteiro; do responsável pela Coordenadoria de Ensino Tecnológico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Eduardo Luiz Machado; e do professor da Fundação Vanzolini, José Renato Sátiro.


Lucchesi começou sua fala traçando o cenário brasileiro e internacional de competitividade no setor. Enquanto os países desenvolvidos lideram e os emergentes caminham em direção a uma indústria avançada, o Brasil vive um processo de desindustrialização com um desafio demográfico, que exige repensar a formação inicial e a requalificação dos trabalhadores.


“Estamos assistindo, neste início de século, uma guerra pelo domínio das tecnologias habilitadoras. Os Estados Unidos investem algo em torno de 500 bilhões de dólares por ano. A China vem logo atrás com mais de 300 bilhões, seguida por Japão, Alemanha, Coreia e a França, que está entrando nesse jogo. Essa mudança geopolítica vai estabelecer as principais cadeias de valor e os ambientes de negócio”, alertou o diretor-geral do SENAI.


Parcerias e programas de formação para setores estratégicos

Segundo ele, como primeira estratégia, o Brasil deveria investir em pesquisa e desenvolvimento e formar em áreas em que possui diferencial competitivo. Da mesma forma como fez a Embrapa para o setor agro, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) para a Embraer e os programas de formação da Petrobras para a exploração do pré-sal.


Os outros convidados reforçaram o argumento, chamando atenção para as parcerias. “Temos aporte de recursos para pesquisa e inovação e para a educação básica abaixo do necessário. O setor privado é essencial para essa formação, mas sozinho não é a melhor solução. Precisa integrar, estar associado a grandes institutos de pesquisas e a entidades educacionais”, defendeu Eduardo Luiz Machado, do IPT.


José Renato, da Fundação Vanzolini, falou da importância da capilaridade de instituições de referência. “Sair do eixo Rio São Paulo, ter boas formações em Manaus, por exemplo. No que diz respeito aos planos pedagógicos das universidades, em geral, há um desafio de estreitar mais o ensino com as demandas do mercado. Tanto que empresas hoje já contratam sem formação acadêmica”, observou.


Representante da Bosch, Julio Monteiro citou o exemplo de uma parceria com o SENAI de São Leopoldo 9RS) para capacitar e habilitar profissionais na área de dados. “Mas é um gargalo para as empresas no futuro, precisamos de muitos profissionais e especialistas, os quais já temos dificuldade de encontrar, como um engenheiro de dados para trabalhar com inteligência artificial”, ilustrou.



Sobre o perfil do profissional da indústria 4.0, multidisciplinaridade e formação continuada são as palavras-chave. “Precisamos de capacidade interpretativa e de competências comportamentais, porque teremos um ambiente cada vez mais colaborativo”, resumiu Rafael Lucchesi.


Por fim, ele lembrou que o SENAI tem buscado estabelecer uma rede com instituições de referência nacionais e internacionais com domínio dessas competências. Para formar profissionais STEAM, nas áreas de tecnologia e exatas, existem ainda os institutos de inovação e tecnologia e os observatórios, que acompanham as transformações do mercado. E, do ponto de vista de política nacional, a primeira grande oportunidade é o novo ensino médio, que inclui o itinerário de formação profissional.


Assista ao seminário na íntegra



Por: Amanda Maia


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